domingo, 27 de outubro de 2013

Uma trilha para lavar a alma




Por John Paul


Depois de algumas semanas parado e ter ganhado mais 1kg, resolvi montar na Burra Branca e recomeçar a pedalar. No sábado dia 26/10 saí às 3h com destino até a entrada para a estrada de Cerro Corá que de Currais até lá são 15km e somando com a volta seriam 30km pedalando, uma distância razoável para voltar aos treinos.


Tentei andar pela marca branca do acostamento mas o trânsito estava pesado, o jeito foi pedalar pelo acostamento esburacado, sem falar no vento forte que estava contra. Quando passei da curva da Sussurrara próximo ao panelão (entrada para os Negros do Riacho), senti o aro batendo em um buraco, vi logo que o pneu teria furado, parei e vi que o pneu estava um pouco baixo e um espinho tinha entrado. Preferie subir a ladeira para realizar o conserto. Pensei em trocar a câmara, assim não iria perder muito tempo. Mas quando olhei na bolsa do selin nada da câmara, tinha esquecido de colocar, então o jeito foi remendar. Retirei a câmara e a enchi o máximo que pude para facilitar na busca do furo, mas não consegui encontrar o que me deixou P. da vida. 


Me lembrei que nesta tarde o Bike Ação iria realizar seu pedal de aniversário com percurso para os Negros do Riacho, pensei então continuar a pedalar até as 16h, pois nesse horário o grupo iria sair da praça, então nessa hora voltaria e se encontra-se o grupo iria pro pedal (e qualquer coisa alguém me emprestaria uma câmara ou até encontrar esse maldito furo) caso contrário iria pra casa, então continuei a pedalar sentido natal e mais a frente a lanterna frontal cai devido uma folga no suporte e quando fui testá-la não funcionou, fiquei cismado com esse 2º imprevisto, parecia um aviso para eu voltar. Já retornando e ao chegar perto do panelão não avisto nenhum ciclista, continuei rumo à cidade e em cada subida a decepção de não ver nenhum ciclista.


Quando chego em frente ao cemitério o velocímetro marca 16km e na Av. 13 de maio nenhum ciclista vem subindo, pensei então que poderiam ter ido pela estrada de Lagoa Nova. No Resolvo dar outra tentativa e fui na praça e lá encontro os ciclistas se preparando. Cleotônio informa que o percurso iria começar pela estrada de Lagoa Nova, como eu já tinha pensado. Ainda fiquei cismado de ir pra esse pedal, pois tinha tudo para não dar certo: pneu furado e de espessura 1,50 nada apropriado para barro, sem lanterna, um pouco cansado e já com fome que gerou uma leve dor de cabeça, mas dizem que no Montain Bike “quanto pior, melhor” decidi ir assim mesmo. Mas antes zerei o velocímetro.

Seguimos pela RN 041 e quando chegamos na entrada do Sítio Maracajá minha água já acabou, a minha sorte foi que paramos para encher as garrafas em um sítio de um ciclista (não lembro o nome) que estava no pedal, aproveitei e comi umas bolachas e rapaduras.


Até chegar nos Negros do Riacho foi leve, terreno com poucas inclinações, trechos com areia fofa sendo preciso descer da bike e aqui-acolá numa parada aproveitava e dava ar no pneu furado. Estava quase anoitecendo quando chegamos nos Negros do Riacho. O que chamou mais minha atenção nesse pedal foi a atenção que chamamos dos moradores daquela localidade, uma pequena multidão se formou às margens da estrada para nos ver passar – a noite comentei com minha namorada Mônica sobre o ocorrido, ela me disse que chama a atenção porque é bonito, encanta ver aquele monte de bicicletas passando com as luzes piscando –. 


Depois desse “desfile” nos Negros do Riacho, a coisa começou a pegar. Começaram as subidas. O ponto mais difícil, foi subir o último serrote para chegar na BR226. Depois de muito tempo parado pensei que não ia conseguir subir, mas com muita paciência consegui. E uma recompensa nos esperava no alto deste serrote a 402 metros de altura(relação do nível do mar), quando olho para a direita vejo as luzes da cidade, uma vista muito linda.


Trecho mais difícil do pedal. uma subida já próximo a BR226. uma inclinação máxia de 9,3%.

Agora era só alegria, só mais uma descida e estávamos na BR. No momento de descer a ladeira foi uma agonia, estava sozinho no momento e sem lanterna, com pneus finos e temendo para nada acontecer, mas ainda bem que tudo deu certo. Na BR foi outra frustração, com medo dos buracos no acostamento, fica difícil acelerar, mais a frente peguei carona nas lanternas de outros ciclistas.


Já em área urbana, parei mais uma vez para dar mais ar no pneu furado e segui para a churrascaria onde iria acontecer o jantar de aniversário. Não iria participar do jantar, iria apenas para ver o movimento e ir embora em seguida. Cheguei lá e o velocímetro marcava 25km de pedal e somando com os 16km que fiz antes do pedal, no total seriam 41km. olhei o movimento e fui embora.

Gostei muito desse pedal, todos iam juntos assim não se fica desmotivado, sem falar que trilha é muito divertido a variação de terreno é grande e é ótimo quando não se conhece a trilha, assim você sempre se surpreende e o nível de adrenalina vai lá em cima dificuldade tem que existir caso contrário não tem graça. Cheguei esgotado em casa, mas com a alma totalmente lavada.

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